Comunicado sobre Modelo de Auditoria

Em 14 de Abril de 2011, ao tomar conhecimento, pelos órgãos de comunicação social, de que havia sido excluída das discussões sobre o âmbito e alcance de uma suposta auditoria às contas do “Grupo Sporting”, a Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal (“CI”) temeu pelos objectivos e eficácia da mesma, numa altura em que é generalizadamente reconhecida pelos Sportinguistas a necessidade de esclarecer os actos de gestão que nos conduziram à difícil situação actual.

Desde essa data, fomos chamados a reunir com o actual Presidente, e optámos por não perder a oportunidade de transmitir o que entendemos ser imprescindível às necessidades de informação, responsabilização e pacificação no Sporting – de acordo com o caderno de encargos que propusemos durante a campanha eleitoral e que acolheu o apoio de mais de 1000 associados.

Tendo em conta o comunicado publicado ontem no site do Clube (http://www.sporting.pt/Incscp/pdf/parecercomissaoauditoria_300511.pdf), a CI observa, desde logo, a infeliz alteração da denominação de “auditoria de gestão” e sua substituição por algo inócuo como “acompanhamento da análise da evolução da situação patrimonial” – mais do que uma questão de semântica, tomar como base de partida uma versão soft do que deve ser feito faz recear pela capacidade de, chegados ao término dos trabalhos, se ser capaz de separar a incompetência do eventual dolo, se malogradamente este se vier a comprovar. Fica aquém do que o Clube precisa e do que os sócios exigem. A “análise factual e descritiva da evolução da situação patrimonial do Grupo Sporting” é uma mão cheia de nada. É um “extracto de conta”, onde se mostram quais os levantamentos e depósitos e quando foram feitos. Não explica como e para que fins foram feitos nem quem os fez.

Face a isto, esta “auditoria” traduz-se no seguinte exemplo: Ao verificarmos que a nossa casa foi arrombada e está vazia, a polícia propõe-se, ao invés de investigar como e quem a arrombou e esvaziou, a fazer uma simples lista do que foi roubado e quando!

Congratular-nos-emos porém, a verificar-se, com a realização de uma verdadeira auditoria de gestão, que até há pouco tempo era tida como desnecessária pelos principais responsáveis dos actuais órgãos sociais, e reafirmamos publicamente o que transmitimos de forma muito clara sobre o que deve, no mínimo, constar no “Livro Branco” a apresentar:

a) Contas consolidadas anuais desde 1995, com indicação das relações existentes entre as várias sociedades do Grupo e da análise das transferências de valor entre as mesmas, em particular as que não pertencem a 100%, directa ou indirectamente, ao Sporting Clube de Portugal;

b) Análises financeiras às participadas do Sporting Clube de Portugal, no sentido de se avaliarem indícios de imparidade nas mesmas;

c) Evolução de passivos e activos, relacionando-a com os sucessivos Conselhos Directivos;

d) Gestão e evolução do património do Clube, com explicação detalhada sobre os principais negócios e comissões associadas, não esquecendo a venda dos terrenos do antigo estádio, a construção do novo estádio e academia, a venda do património não desportivo e transferências de jogadores profissionais de futebol;

e) Análise da evolução anual de resultados por área de funcional ou de negócio (futebol, modalidades, marketing e publicidade, merchandising, património, etc);

f) Remunerações directas e indirectas dos Membros dos Órgãos Sociais e relatório sobre todas as entidades com relações especiais com o Sporting Clube de Portugal e suas participadas e os negócios entre estas.

Assim, apelamos a todos os Sportinguistas que pura e simplesmente rejeitem os resultados de qualquer auditoria que não compreenda, como mínimo indispensável, todos os pontos anteriormente elencados. Menos do que isto, e não estaremos perante uma auditoria capaz de explicar aos Sportinguistas como é que chegámos onde estamos e quem nos trouxe até aqui. Menos do que isto é querer enganar os Sportinguistas.

É fundamental identificar o como, o porquê e o quem da situação do Clube a nível financeiro, patrimonial e desportivo nos últimos 16 anos. É fundamental, face a eventuais conclusões nesse sentido, promover a responsabilização civil e criminal por danos causados ao Sporting Clube de Portugal, sendo uma questão de respeito perante os Sócios e um exemplo a transmitir para o país.

Não desistimos de um Sporting transparente e informado sobre o seu passado, para que possa enfrentar com confiança o futuro. Continuamos fiéis aos valores que defendemos e à confiança que mais de 1000 associados depositaram em nós nas últimas eleições.

 

Independência. Rigor. Verdade.

Lisboa, 1 de Junho de 2011

A Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal

3 Respostas

  1. Obrigado pelo serviço publico de higienização do Clube!

  2. Boas,
    Fico agradado pelo vosso esclarecimento ainda mais quando vocês não estão ligados a mais nenhuma candidatura, temia que a montonha fosse parir um rato e pelo que vejo os meus receios estão certos. Mas queiram saber que actualmente os sócios estão tão cegos que são bem capazes de acharem que a comissão está com mau perder e que quer um tacho, infelizmente é o clima que temos no clube, uma paz podre onde se pede calma a toda a hora e união todo tempo, sem que os responsáveis nada façam para que a paz plena seja atingida e a união conquistada. Não adianta pedir União e paz sem que se faça o necessário para a atingir tais actos, e se alguém levanta a voz contra as suas medidas de fachada ainda ofendem e nos acusam de destabilizadores e de anti Sportinguistas. É a realidade actual do clube e é ela que tem de ser combatida a todo o custo

  3. Muito bem. Menos do que aquilo que o CI apresentou nas eleições é querer continuar a enganar os sócios.

    Aliás é exactamente continuar a enganar os sócios que mais uma vez vai suceder no SCP.

    Quem alguma vez teve esperança ou acreditou que a mesma gente que lá está há 16 anos fosse promover uma Auditoria Independente de Gestão que se desengane. Isso não vai acontecer com esta gente no poder.

    Portanto continuamos no reino das fraudes das mistificaçoes e das ilegalidades. Uma fraude vai-se suceder a outra, a mais recente, a eleitoral.

    Bom trabalho.

    Saudações Leoninas.

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