Ricardo Andorinho, pela independência

Acredito que só com uma separação de poderes e uma clara definição de responsabilidades de cada um dos órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal estejam reunidas as condições para serem protegidos os interesses dos sportinguistas em relação à transparência da gestão operacional e financeira de toda a organização.

A história recente do Sporting Clube de Portugal explica ela própria a necessidade cada vez mais premente de uma verdadeira separação de poderes dentro do Clube. Ao cabo dos últimos 15 anos, assistimos a uma clara incapacidade na aplicação de – como o próprio nome indica – competências fiscalizadoras da actividade da Direcção efectivamente desempenhar o seu papel. E a explicação dessa incapacidade é simples, mas assustadora: solidariedade institucional. Um Conselho Fiscal e Disciplinar (“CFD”) formado e nomeado pela Direcção é necessariamente alinhado com essa Direcção e portanto menos atreito a contrariá-la ou a exercer sobre ela qualquer forma de controlo. Os resultados desse alinhamento e desta junção de poderes que deveriam estar separados está à vista: Aos membros do CFD cessante resta afirmarem debilmente que não sabiam de nada e que nada podiam ter feito, ou mesmo a contrariarem os pareceres positivos que haviam dado às contas do Clube.

Por força de anos a fio de obscuridade e subserviência à Direcção, o CFD é hoje encarado pela generalidade dos Sportinguistas como um órgão menor. Tornou-se habitual o Presidente do CFD ser uma figura decorativa que aparece apenas em ocasiões que exijam a presença de todos os órgãos sociais e assistir candidamente ao desenrolar dos acontecimentos, como se não tivesse qualquer poder sobre os mesmos.

Mas a realidade é outra. O CFD é estatutariamente um órgão de grande relevo. É o garante da legalidade das acções da Direcção e é quem recebe o mandato dos Sócios para assegurar que a Direcção age, na esfera patrimonial, de forma honesta e protectora dos interesses do Clube. É o defensor por excelência do bom nome do Clube e dos seus Sócios. Para que todos percebamos a importância deste órgão, com um CFD verdadeiramente independente, acredito que muito do que aconteceu ao nosso Clube, muito do delapidar do nosso património não teria acontecido.

Mas aconteceu. E este acto eleitoral é, por todos os motivos, um dos momentos mais importantes da história do nosso Clube. Porque nos vai permitir que não volte a acontecer. Porque nos vai permitir escolhermos em definitivo que rumo queremos para o nosso Clube. Não com fundos, jogadores e promessas, mas com princípios e com trabalho. Queremos uma Direcção com roda livre para decidir o rumo do Clube, respaldada por um CFD que lhe seja submisso e que assinará por baixo do que aquela decida? Ou queremos um novo rumo, com uma Direcção duplamente obrigada a agir apenas e só nos melhores interesses do Clube, quer porque recebeu esse mandato dos Sócios, quer porque um CFD leal apenas aos Sportinguistas zela por interesses do Clube e não permite que estes sejam postos em segundo plano seja por que motivo for?

Creio que nenhum Sportinguista tem dúvidas sobre o melhor rumo para o Sporting, e que esse rumo é o da Independência, Rigor e Verdade. Acredito que o Sporting pode e deve trilhar esse rumo, e acredito que o CFD tem um papel de grande importância no moldar do futuro do nosso Clube.

No entanto, vejo que quase todas as listas dão pouca importância a este órgão. Umas procuram sentar neste órgão os credores do SCP, por forma a facilitar medidas de gestão que protejam os interesses destes e assim viabilizar a sua governação. Outras parecem contentar-se com nomear pseudo-notáveis do Clube sem grande domínio dos assuntos e aparentemente sem sequer terem ideias definidas para como deve actuar este orgão na gestão do Clube.

Por acreditar que só um Sporting gerido com total isenção pode recuperar a glória que lhe escapa (no futebol, porque nas nossas modalidades continuamos a encher de orgulho quem nos apoia), vejo a Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal como o único movimento preocupado em regenerar a governação do Clube sem recorrer a chavões e demagogias, lutando por valores que considero essenciais para o futuro do nosso Clube:

 

Devolver o Controlo aos Sócios:

Não entendo a SAD fora das mãos do Clube. A realidade do Clube mudou, e a sua actividade está hoje congregada na SAD. Mas o Sporting tem, e tem que continuar a ter, carácter associativo. A decisão sobre o rumo da SAD tem que continuar de mão dada com o Clube e são os Sócios quem têm que continuar a deter o poder no Clube, e este a deter o poder na SAD. Revejo-me totalmente na manutenção da maioria do capital da SAD ser detida pelo Clube e a Candidatura Independente é a única que é clara quanto a isto.

Acredito ainda que para que os Sócios tenham efectivo controlo e conhecimento sobre o governo de uma realidade tão complexa e com tantas sociedades participadas como é hoje o Grupo Sporting, é essencial que o CFD possa estender as suas competências de fiscalização à SAD e a todas as sociedades participadas. Esse objectivo só se poderá atingir com uma revisão dos estatutos como a defendida pela Candidatura Independente, proposta que apoio totalmente.

 

Compreender o Passado para Preservar o Futuro:

Uma das minhas preocupações, como Sportinguista e como profissional, é compreender como chegámos aqui. Como fomos de um dos maiores proprietários de imóveis de Lisboa a locatários de uma Academia que pertence a um banco e a termos que entregar passes de jogadores de penhor para garantir pagamento de acções. Compreender como quase todo o património se foi, deixando apenas uma asfixia financeira com que todo o Clube se debate. O verdadeiro corte com o passado do Sporting exige vontade real de compreender esse passado e esse percurso até este presente. Não se trata de caça às bruxas, como tanto ouço dizer, trata-se de apurar a verdade.

E para apurar a verdade, exige-se uma verdadeira auditoria de gestão, um verdadeiro apuramento de realidades, exercício a exercício, direcção a direcção, activo a activo. E é essencial estender este exercício a todas as empresas do chamado Grupo Sporting. Neste vector, a abordagem desta candidatura é a menos compromissória e a que defende a maior profundidade de análise, para que os Sportinguistas possam saber a verdade sobre um Clube que é seu.

 

Informar do Presente:

É inegável a importância que a actividade financeira tem hoje no Sporting. E por ter essa importância, defendo que é crucial que os Sócios do Sporting sejam informados sobre essa actividade com maior regularidade, rigor e simplicidade. Sem jargão tecnocrático e sem mistificações. A realidade dos números como ela é, e à medida que se vai desenrolando. A proposta da Candidatura Independente é, neste tema, inovadora e reveladora de um respeito pelos Sócios e vontade de lhes dar a conhecer a verdade como nunca vi nas Direcções anteriores.

 

Cobrar as Promessas:

Promessas eleitorais são já um clássico do nosso Clube. Três títulos em cada cinco anos, Estádios topo de gama com endividamento zero, amortização rápida do passivo, independência da banca, apresentações semanais de Sócios, retorno de velhas glórias, compromissos com instituições, votos por correspondência, aos Sportinguistas já tudo foi prometido. No entanto, os mandatos sucedem-se e as promessas ficam onde apareceram: nos slogans de campanha.

Pela primeira vez vejo uma lista propor certificar-se que quem promete, cumpre. Gosto que me digam a verdade e que façam o que me prometem, especialmente quando ganham o meu apoio com isso. Estou certo que de promessas todos os Sportinguistas estão fartos. Queremos realidades, e queremos que alguém se comprometa a garantir que elas se cumprem.

 

Acredito profundamente que é no momento mais difícil da vida do Sporting Clube de Portugal que não podem existir cedências, compromissos ou consensos. Para o Clube poder continuar a ser esta parte da nossa vida que nos enche de orgulho, temos que manter a casa mais limpa, mais honesta e mais transparente de todas. Perante o mundo, mas acima de tudo perante nós. Acredito que o CFD tem um papel de relevo nessa tarefa de credibilização institucional do Sporting. E acredito que a Candidatura Independente ao CFD é quem se apresenta, em termos de ideias, de empenho e de princípio, como a melhor posicionada para o conseguir.

No dia 26, apelo a todos os Sportinguistas que, votem em quem votarem para os demais orgãos, votem na Candidatura Independente ao CFD. É a candidatura que oferece aos Sportinguistas reais garantias de Indepedência, Rigor e Verdade. Estes são valores com que qualquer direcção digna de dirigir os destinos do nosso Clube exige trabalhar, e sei que são os valores que exigirão a quem quer que seja eleito.

 

Ricardo Andorinho

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